Falando sobre minha vida

dibonetti 200 d3839Nasci a cinqüenta anos atrás numa família maravilhosa e abençoada. Meu pai é paulista e minha mãe paranaense.

Sou a terceira de cinco filhos. Gêmea com um menino.

Se tivesse a oportunidade de escolher novamente meus pais, ah, com certeza eles já estariam eleitos. Fomos educados com o melhor amor que poderíamos receber, e com princípios bem sedimentados do que era o certo ou errado. Meus pais sempre nos deixaram tomar decisões, calcadas nas boas palavras e boas conversas das conseqüências futuras. Devo-lhes a contrução correta do caráter. Agradeço sempre com muitos eu te amo.

Comecei a trabalhar muito cedo por vontade própria. Desde a adolescência já tinha pensamentos firmes e determinações nas atitudes e projetos.

Janeiro de 1983, 15 dias após o pedido de transferência de um banco em Nova Esperança, Noroeste do Paraná, já estava instalada em São Paulo, no apartamento de duas primas amadas, Marisa e Margarete. Meus planos de vir para São Paulo tinham como objetivo estudar Odontologia, mas a realidade se mostrou outra e somente no segundo ano em São Paulo comecei a cursar Administração de Empresas na Faculdade de Economia São Luis, na Rua Haddock Lobo, 400. Foram cinco anos significativos que me tornaram gerente financeira num grupo de empresas durante muitos anos. Por conta do stress desse cargo, que sempre digo, é o nervo central de qualquer empresa, comecei a fazer um curso de pintura, óleo sobre tela, com a professora Dona Margarida, na Rua Augusta. Fiquei maravilhada com esse caminho que abria a possibilidade de usar as mãos, já que o sonho da odontologia tinha ficado trancado na caixa de pandora. Não demorou muito tempo para que eu revertesse totalmente minha vida a favor da arte. Abri meu ateliê na Vila Mariana. Ministrei aulas de pintura por quase 15 anos.

Sempre gostei de fotografia, e essa veia herdei do meu pai que foi um registrador fotográfico da família e dos eventos importantes. Mas em 1998 comecei a trabalhar profissionalmente nessa área. E nesse ano mesmo, fiz minha primeira exposição de fotografia, juntamente com a fotógrafa Alan Rodrigues para comemorar o dia das mães. Título da exposição "DOIS OLHARES, MULHER E MÃE". Cada fotógrafa realizou 20 ensaios em fotos P&B com mães e filhos, grávidas e várias gerações. Inauguramos uma galeria de arte no Shopping D&D. Um sucesso.

No ano 2000 inaugurei um portal de artes plásticas, pois acreditava que o mercado precisava de um espaço onde os artistas plásticos profissionais e os que desejavam trilhar esse caminho, pudessem mostrar seu trabalho sem a exploração de pseudos "marchands" que exploravam o desejo daquele batalhador que precisava fazer currículo. Nasceu o PORTAL ARTES, sem cunho comercial, com o trabalho árduo de Paulo Will, web-designer e do programador Augusto Cesar.

Especializei-me em fotografar OBRAS DE ARTE para os artistas que desejavam portfolio ou inserir em seus sites. Hoje fotografo obras de arte para exposições, publicações em anuários, revistas, jornais, convites, catálagos, etc. Aperfeiçoei a técnica para catalogação de acervos de Museus e colecionadores.

No ano de 2005 veio o convite para fotografar produtos para uma revista de moda. Por minha sugestão essa Revista criou um caderno voltado para artes. Fiquei responsável por escrever e fotografar para esse Caderno e o de decoração me levou a fotografar a CASA & COR, além do tradicional SPFW que fotografei por cinco anos. Mas o melhor da minha vida profissional aconteceu em 2003 quando fui convidada pela Academia de Belas Artes do Rio de Janeiro para ser a Curadora da nossa mais brilhante modernista ANITA MALFATTI. A qual cunhei o título de "MÃE DO MODERNISMO". Essa Exposição abria as comemorações dos 450 anos do aniversário de São Paulo em janeiro de 2004.

Através do estudo, pesquisa e registro fotográfico que realizei para essa exposição em 2004, convidada pela família, tornei-me, além de Curadora, a fotógrafa oficial das obras da modernista que levou-me a estreitar os laços afetivos com a familia Malfatti. Não posso deixar de agradecer a pessoa que se tornou minha amiga, Stella de Mendonça, que é a restauradora oficial das obras da modernista a mais de duas décadas, e uma brilhante estudiosa pesquisadora da vida e da obra dessa imcompreendida artista, e posso dizer com certeza absoluta, hoje, a maior autoridade em se falando de Anita Malfatti.

Ser Curadora de Anita Malfatti, me trouxe uma satisfação enorme, mas fotografar a obra dessa mulher forte, determinada, ousada e inovadora, que sempre esteve a frente do seu tempo, é algo indescritível. Foi sempre uma alegria quando era chamada para registrar uma obra que não conheçia. O prazer de tocar e sentir, olhar através de minha lente todos os detalhes que registro, pinceladas, assinatura, cores e formas, realmente não tinha preço.

Sempre estive com a mente aberta quando o assunto é arte, que acredito ser um dos alimentos da alma, tanto que resolvi estudar a história do cinema, e nesses últimos três anos deparei-me com todos os movimentos modernistas em filmes experimentais e de grandes diretores, como Jean Renoir, brilhante diretor e filho ao pintor Renoir, François Truffaut, Luis Buñel, Michelangelo Antonioni, Vitório de Sicca, Ingmar Bergman, Roberto Rossellini, D.W.Griffith, Sergei Eisenstein, Federico Fellini, e principalmente compreendi o cinema novo na figura de Glauber Rocha.

Planto sementes do bem, do amor, da harmonia, da beleza e da arte para fazer desse planeta um lugar muito melhor... de paz!