di e nazareth

Minha querida amiga, hoje, meu choro é de saudade. Você partiu exatamente há um ano, no dia 3/3/2010.
Lembro da nossa convivência semanal durante cinco longos anos, maravilhosos, em que tenho certeza a fez muito feliz, pois sentia a vibração da sua voz e o brilho dos seus olhos.
Ainda hoje, quando meu celular toca quando estou dirigindo, tenho a nítida sensação de que vou atender e ouvir a sua voz perguntando: “- Di Bonnê, você já está vindo? Já está chegando?”.
Neta de francês, você nunca conseguiu me chamar de Di Bonetti, e eu não me importava, pois sabia que no fundo você queria que sangue francês corresse por minhas veias, em vez do italiano.
Nossa amizade foi tão profunda, eu a amei tanto, tentei cuidar tanto de você, que esperava que você vivesse mais 10 anos.
Hoje choro a sua partida, tanto, ou mais quando a acompanhei para a sua morada eterna no cemitério da Consolação.
Meu coração sofre com sua ausência, como sei que sofrerei se um dia minha amada mãe partir primeiro que eu.
Nazareth, você era uma extensão da minha vida, um pedaço da minha existência. Nossa afinidade era tão precisa e sincera que se torna difícil explicar aos outros o laço de carinho que nos unia.
Nunca existiu essa diferença de 40 anos de idade entre nós, falávamos a mesma língua. Sua experiência de vida fez-lhe mestra em administrar conflitos. A sabedoria fazia parte do seu dia a dia. Sabia acomodar situações familiares como Julio Medaglia conduz a sua batuta, com maestria.
Você perdeu uma filha, sua primogênita, e partilhei muitas vezes a sua dor. Você sempre me dizia que ela, poetisa, havia feito uma poesia chamada 7 de 7 de 77. Foi exatamente esse o dia da sua partida, 7 de julho de l977.
Até o trem surgir detrás das montanhas e parar na estação da minha vida, como cantava Raulzito, para me levar, lembrarei do dia 3/3/2010 que somando o ano 2010 também é igual a três.
Lições importantes foram se acumulando, convivendo tanto tempo de frente para você, naquela pequena mesa de escritório, rememorando o passado, remexendo em fotografias e em documentos que nos levavam a descobertas que partilhávamos com imensa felicidade. Ninguém seria capaz de entender tanta cumplicidade, tanto carinho vivenciado. Presenciei inúmeras vezes o “jogo do contente” que com prudência e sensatez manipulava para harmonia e serenidade dos que a cercavam e conviviam.
Parece que ouço sua voz a dizer: - Papai sempre dizia que calar é ouro, falar é prata.
Ninguém sabia quantos já havia socorrido, pois você herdou a benevolência dos Castros e a generosidade do sangue Thiollier.
Sempre na discrição repetia que o que a mão direita fazia não tinha a mão esquerda que tomar conhecimento.
Espero, onde estiver, esteja bem e tranqüila, pois a uma pessoa como você, só posso imaginar o amparo dos anjos, a luz da paz e o reencontro feliz com os quais se foram e você sempre falava com tanta saudade.
Ter sido agraciada com sua convivência foi uma das melhores coisas que aconteceu na minha vida, e só tenho a agradecer a você minha amiga, onde estiver, que esteja protegida pelo mesmo amor e carinho que a tantos dedicou neste mundo terrestre.
Sinto sua falta, sinto saudades e sentirei sempre, pois você foi um pedaço que arrancaram violentamente do meu coração.
Ainda não me conformei por não ter cumprido a promessa que me fez repetidas vezes que não me abandonaria até lançarmos o livro sobre seu pai.
Hoje choro minha saudade, querida e amada amiga Nazareth.
“Pai nosso, que estais no céu... Santificado seja o vosso nome... venha a nós o vosso reino...”
Espero que esteja protegida e feliz, onde estiver.