Arte indigente ou indegente arte 20141015 210829 1

Já me perguntei várias vezes o que nos leva a querer fotografar um indigente a mercê da vida, na rua. Hoje resolvi pensar na resposta. Pode parecer um certo sadismo, mas não é. Quando vejo uma cena como esta, consigo enxergar uma beleza plástica incomum.Sempre penso nos dois lados da moeda. Esse sujeito tem uma liberdade que não tenho, tem uma despreocupação que também não tenho. Eu tenho grades em minhas janelas e portas e uma preocupação mensal com as várias contas. Ao mesmo tempo tenho uma casa limpinha, uma comida fresquinha, um banho rapidinho, mas tenho. (Nossa... me lembrei agora do Caio Ribeiro quando faz comentários esportivos e para ele tudo é no diminutivo...kakakakaka)...Entao, continuando...eu tenho uma cama macia, gostosa, com travesseiro cheiroso. Ah... e ainda estou conectada com o mundo. E se eu trocasse de lugar com ele? Teria liberdade e estaria desobrigada de contas, afazeres, pensamentos. Será? Mas morar em baixo da ponte, com aquela poluição de gas carbónico, com a visita inesperada de ratinhos e baratinhas. Também estaria exposta a perigos noturnos de toda natureza.Pensando bem, agradeço todas as mazelas que a vida me impõe.