3 Dezembro 2021

No dia 3 de setembro de 2020, meu pai, Rubens Bonetti, foi sepultado as 11 horas. Estávamos todos anestesiados por uma morfina emocional, incrédulos por não poder mais conviver com nosso amado pai.

Era 7h:50 quando um dos amigos mais importante na minha vida, Sebastião Galinari escreveu as palavras mais generosas e sensíveis que revelavam o quanto ele conhecia a minha dor:

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Hoje o dia não deveria amanhecer.

 O sol poderia ficar lá do outro lado sem mostrar tanto brilho e tanta luz. Hoje não deveria ter barulho, ter conversa, nem pássaros cantantes, não deveria ter sorrisos e toda alegria poderia ser varrida da face da terra.

Hoje deveria ser amanhã e amanhã, ser a semana que vem, hoje nem futuro deveria ter.

Seu Bonetti, que a vida lhe deu, lhe deu seu nome, lhe deu irmãos e muitas histórias.

Seu Bonetti que a vida lhe deu, encheu de carinho sua infância, encheu de amor os seus dias e todas suas casas por onde você passou.

Deu lhe gosto pelo belo e pela fotografia, deu lhe história.

Seu Bonetti que a vida lhe deu, doravante continuará existindo neste mundo, toda vez que despertar uma lembrança dele, todas as vezes que pronunciamos seu nome, que vermos suas fotos ou que pronunciamos seu nome, que contarmos uma história dele e o inserirmos em nossos dias e momentos e toda vez que rirmos de suas graças.

Ele se foi mas suas marcas, suas histórias, suas coleções, seu legado enfim, permitirá que ao seu lado sempre esteja.

Se hoje é dia de dor saiba que ela passa e transformada em saudade restará o consolo que o tempo, no devido tempo, trará.

Claro que o mundo ficou mais triste e mais vazio.

Claro que o mundo nunca será mais o mesmo.

Toda dor de agora vai passar e enquanto isso exerça o amor, exercite o amor, abrace sua mãe e lhe dê seu colo seu carinho e sua companhia. Deixe o tempo passar, promova todos os rituais dessa passagem que inclui os abraços, o velório, as lágrimas, os funerais a missa de sétimo dia.

Se o mundo não parou e o sol veio brilhar, deixe neste momento o seu mundo parado e busque na penumbra de seus pensamentos a força necessária para tocar sua vida para frente.

Seu Bonetti teve uma vida linda, longa e feliz. Viveu com podia e viveu como queria.

Ele Foi feliz e teve seu amor e seu carinho e sua presença por mais de 60 anos na vida dele. Viva neste momento a sua dor, pois nada a aplacará e conte com o tempo que tudo transforma e transformará essa dor numa saudade eterna, porém serena.

Seu amigo, para sempre: Sebastião Galinari”. 

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